Tecnologia como vetor estratégico de governança pública

A Polícia Penal de Goiás (PPGO) consolidou-se como uma das gestões mais modernas do sistema penitenciário brasileiro nos últimos sete anos, com investimentos contínuos em tecnologia da informação (TI). O Governo de Goiás investiu aproximadamente R$ 6,5 milhões na aquisição de equipamentos, softwares e capacitação de servidores, impulsionando uma transformação digital na administração prisional.
A combinação de investimento e capacitação gerou o maior ciclo de evolução, aquisição, inovação e criação tecnológica da história da TI da Polícia Penal, entre 2024 e 2025. Somente este ano a instituição patenteou dois sistemas de informática próprios no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), algo que nunca havia ocorrido na história da PPGO. Em dezembro, a Polícia Penal também inaugurou o primeiro Laboratório de Inovação para Soluções em Gestão Prisional (LISGP).
“A transformação digital deixou de ser tendência para se afirmar como vetor estratégico de governança pública. No âmbito da Polícia Penal, essa transformação ganhou contornos concretos a partir de uma política contínua e estruturada de investimentos, desenvolvimento próprio de sistemas e modernização tecnológica, consolidando a TI como instrumento central da gestão penitenciária e da formulação de políticas públicas”, explica o diretor-geral da PPGO, Josimar Pires.
Os dois sistemas patenteados são o Sistema de Gestão e Governança (Siggo) e o Goiaspen. O Siggo é uma ferramenta que possibilita o acompanhamento, a coleta, a análise e a interpretação de dados relevantes na instituição, promovendo uma gestão baseada em informações precisas e em tempo real. O Sistema criou uma cultura de excelência na gestão prisional.
O Siggo é amplamente utilizado dentro da Polícia Penal, abrangendo processos internos (atividades rotineiras), gestão de projetos, gestão de riscos e até na elaboração e execução do Plano Estadual Pena Justa Goiás. O Siggo Pena Justa também é adotado pelos Estados de Sergipe, Espírito Santo e Mato Grosso. Já o Goiaspen é um dos mais completos sistemas de gestão da população carcerária do país, reunindo mais de 300 mil cadastros de custodiados e egressos do sistema prisional goiano.
LISGP
O Laboratório de Inovação para Soluções em Gestão Prisional criou um ambiente de experimentação e desenvolvimento colaborativo de soluções inovadoras para os desafios da gestão prisional, com foco no usuário e na resolução de problemas reais. Entre suas competências, o LISGP busca prospectar, desenvolver, prototipar e validar soluções tecnológicas e novos modelos de gestão aplicáveis à realidade do sistema prisional, além de promover eventos como workshops, hackathons e seminários para a geração de ideias e o compartilhamento de conhecimento.
O LISGP atua de forma integrada com o ecossistema de inovação do Estado de Goiás, buscando parcerias estratégicas com a Rede Goiana de Laboratórios de Inovação e articulando-se com as estruturas da política estadual de inovação, ciência e tecnologia.
“Nesse ambiente, a tecnologia atua como meio — e não como fim — para repensar fluxos administrativos, modelos de governança, práticas operacionais, mecanismos de transparência e instrumentos de tomada de decisão. O LISGP simboliza, assim, a maturidade institucional de uma TI que deixou de reagir a demandas pontuais e passou a atuar de forma integrada à estratégia organizacional, contribuindo para a modernização estrutural do sistema penal”, afirma o gerente de Tecnologia da PPGO, Tiago Marcelino dos Reis.
Aquisições
Ao longo dos últimos sete anos — com forte intensificação no ciclo 2024 e 2025 — foram realizadas aquisições estratégicas de equipamentos, licenças de software e serviços especializados, promovendo uma profunda modernização do parque tecnológico, com destaque para:
• Computadores desktop e notebooks de diferentes perfis técnicos;
• Monitores em larga escala;
• Switches gerenciáveis, access points e equipamentos de rede;
• Nobreaks de alta capacidade, racks e painéis de conexão;
• Tablets institucionais;
• Soluções de videoconferência, audiovisual e produção de conteúdo;
• Licenças corporativas de segurança da informação, como antivírus;
• Capacitações técnicas especializadas em cibersegurança, desenvolvimento e inovação.
“Essas aquisições não se limitaram à reposição de equipamentos obsoletos, mas obedeceram a um planejamento estruturado, voltado à ampliação da capacidade operacional, à padronização do ambiente tecnológico e a criação de condições reais para desenvolvimento, integração e inovação”, explica Tiago Marcelino.
Somente computadores de mesa foram adquiridos mais de 1 mil equipamentos, além de 1,2 mil monitores de 23 e 24 polegadas. Também foram comprados 96 switches gerenciáveis de 24 portas, padrão 10/100/1000 Mbps, permitindo maior estabilidade, segmentação de rede, controle de tráfego e escalabilidade dos serviços digitais. Esses investimentos foram complementados por equipamentos e soluções de suporte, como racks, painéis de conexão, patch panels, pontos de acesso wireless e serviços especializados, assegurando conectividade confiável em ambientes administrativos e operacionais.
No eixo da segurança da informação e da continuidade operacional, foram adquiridas licenças corporativas de antivírus, nobreaks de alta capacidade, filtros de linha e soluções de proteção elétrica, mitigando riscos operacionais e assegurando a integridade dos dados e a disponibilidade dos sistemas. Paralelamente, o ciclo de investimentos contemplou a aquisição de soluções de software e capacitação técnica, com destaque para a contratação de 20 licenças do Adapta One, reforçando a estratégia de qualificação técnica, inovação e governança digital.
“Essas aquisições evidenciam um robusto ciclo de investimentos, abrangendo desde a base computacional até soluções avançadas de rede, segurança da informação e suporte operacional”, afirma Tiago Marcelino.
Por fim, o ciclo de investimentos foi integrado a capacitações técnicas especializadas e licenciamentos de software, como cursos avançados de cibersegurança (CEH e OSCP), licenças de antivírus e soluções de produtividade, assegurando que a infraestrutura física fosse plenamente acompanhada de qualificação técnica e segurança lógica.
“Esse ciclo marca uma inflexão histórica: a TI deixa de atuar em regime de manutenção mínima e passa a operar com capacidade instalada compatível com seus sistemas, projetos e responsabilidades estratégicas, tornando a infraestrutura um fator habilitador — e não limitador — da inovação”, explica o diretor-geral da PPGO, Josimar Pires.
Soberania digital
Um dos principais diferenciais da TI da Polícia Penal de Goiás é a opção estratégica pelo desenvolvimento próprio de sistemas, garantindo autonomia tecnológica, aderência normativa e maior controle sobre dados sensíveis. Entre os principais sistemas desenvolvidos destacam-se: Agenda AC4, Siggo (Sistema de Gestão e Governança), Siggo Pena Justa e GSERV, além de ferramentas gerenciais, de apoio estratégico e de monitoramento.
Essas soluções sustentam atividades essenciais da instituição, promovendo integração de dados, rastreabilidade de processos, transparência administrativa e suporte qualificado à tomada de decisão
